Prótese cimentada sobre implantes em mandíbula edêntula como opção ao protocolo de Götemburg

Resumo

O autor relata um caso clínico de instalação d.e implantes na mandíbula, para eliminar o efeito de "cantilever" existente nas próteses parafusadas, que seguem o protocolo de Gotemburg para pacientes edentados totais, postulado por Brânemark. Foi verificado que este planejamento cirúrgico-protético permitiu a execução de próteses sem o indesejável efeito de "cantilever".

Abstract

The autor reports one case of lower jaw implantation, aiming to eliminate the cantilever effect, that is common in the screwing prosthesis, which follow the Gotemburg protocol for total edentulous patients, postulated by Brãnemark. It was verified that this surgical-prosthetic planning allows the confection of prosthesis without undesirable cantilever effect.

Palavras Chave

Implantes osseointegrados, Prótese Cimentada, protocolo de Gotemburg

Key Words

Osseointegrated implants, Cement retained protesis, Gotemburg Protocol

Introdução

Os implantes osseointegrados foram desenvolvidos por BRANEMARK em 1981, para mandíbulas edêntulas (Protocolo de Gotemburg) , iniciando a sua aplicação clínica a partir de 1965. BRANEMARK postulava que, para o sucesso da" terapia implantodôntica, esta deveria, entre outras exigências, passar por um período de cicatrização totalmente livre de carga e que os implantes seriam instalados na região mandibular entre os forames mentonianos, em número de 5 ou 6. Atualmente, muitas alterações foram propostas, testadas e introduzi das na prática clínica da implantodontia, como por exemplo à aplicação de carga imediata aos implantes instalados e a diminuição do número de implantes necessário para sustentar uma prótese aparafusada (Adell et al., 1981; SCHITMAN et al., 1990, 1997; TARNOW et al., 1997; ROMANOS, 2002; PROUSSAEFS,2003; TESTORI etal.,2003).
As próteses propostas por BRANEMARK são confeccionadas sobre 5 e/ou 6 implantes instalados na região anterior da rnandíbulaindependente da quantidade óssea que o paçiente apre- sente e neste caso as próteses sempre apresentaram uma extensão distal bilateral aos últimos implantes, levando a esta prótese ter o efeito de "cantilever".
Sabe-se que a flexibilidade de uma prótese aumenta numa proporção relativa ao cubo da distância entre os abutments (SMYD, 1952). Uma prótese com dois pônticos é oito vezes mais flexível do que uma com um pôntico. É muito importante reduzir a flexibilidade para evitar complicações, tais como fratura da porcelana, ausência de retenção da prótese ou perda de implantes. Como opção de tratamento para rebordos divisão B de MISCH, pode-se inserir um número maior de implantes distribuídos de forma a eliminar na mandíbula o efeito "cantilever", proporcionando a estas próteses aspectos biomecânicos mais favoráveis.

Caso Clínico

Paciente do sexo masculino, caucasiano, 45 anos de idade, boa saúde geral, mucosa bucal com aspecto e coloração normais que apresentava perda de todos os elementos dentários (Fig.01e 02).
Foi realizada uma cirurgia para instalação de oito implantes, na mandíbula seguindo posicionamento previamente determinado para a confecção de uma prótese cimentada. Nela foram instalados implantes com diâmetro 3,3 na região referente aos elementos 31 e 41; sem fazer o aplainamento do rebordo alveolar residual e instalação de implantes com diâmetro 3,75 na região referente aos elementos 36, 34, 33, 43, 44 e 46 (Fig. 03) Foi feito acompanha- mento clínico com sete dias para remoção das suturas e avaliação radiográfica (Fig. 04). Realizou-se a cirurgia de re-exposição dos implantes após o período de osseointegração (3 meses aproxima- damente) emoldagempela técnica de "moldeirafechada" (Fig. 05). Em uma única consulta, foram instalados e torqueados os munhões retos, bem como a prova da estrutura metálica, a mo1dagem de transferência da estrutura metálica para aplicação de porcelana (Fig. 06) e a confecção de uma prótese provisória em resina acrílica, adaptada a partir da dentadura do paciente. Realizou-se a prova da pró tese definitiva coma cerâmica aplicada e posterior cimentação provisória da mesma (Fig. 07). Podemos observar a naturalidade deste tipo de prótese (Fig. 08). A proservação radiológica com 12 meses de utilização desta prótese mostra uma perfeita qualidade óssea peri-implantar (Fig. 09).

 

Discussão

MISCH (1995) comparando próteses implanto-suporta- das retidas por parafusos "versus" próteses retidas por cimento, destaca como vantagem das próteses cimentadas o fato de não ser a deteriorização do cimento problema para os implantes, isso faz com que o espaço de cimento de 40 micrômetros, preenchido por cimento, determine uma supra-estrutura mais passiva além de ajudar na transferência de carga ao osso. Pró teses com retenção por parafuso na região de cíngulo faz com que a parte incisal funcione como "cantilever", prejudicando a distribuição de força e tomando a higiene mais difícil na região cervical. Outra vantagem é quanto a estética, que é mais fácil de se obter êxito. O autor ainda relata que ocorrem mais fraturas de porcelanas em próteses retidas a parafu- sos, isso devido ao canal de acesso. Como desvantagem das próteses cimento retidas cita o fato da necessidade de no mínimo 5 mm para a colocação dos pilares superiores para retenção
RIEDER (1995), HEBEL & GAJJAR (1977), PETRUNGARO (2003) citaram a estética e a função como as principais razões para uso de conexões cimentadas.
GUICHET et aI (2000), MANNKOO (2003) citaram que os defensores das próteses cimento retidas destacam como vanta- gens à otimização da emergência gengival, a oclusão; a estética, a possibilidade de corrigir implantes desalinhados, a eliminação do canal de acesso do parafuso e o posicionamento ideal do implante em relação à condição óssea sem preocupação de palatinizá-lo para colocar o parafuso de fixação da prótese. A principal desvantagem das próteses cimento-retidas está no fato da dificuldade de recuperá- Ias após a cimentação.

Conclusão

A instalação de implantes osseointegrados distalmente aos
forames mentonianos e implantes de menor diâmetro na região anterior da mandíbula é uma excelente opção cirúrgica à técnica de Gõtemburg, pois propicia uma pr6tese com melhor relação coroa! implante, menor número de põnticos, ausência de cantilever e uma pr6tese com maior semelhança às pr6teses sobre raízes/dentes.

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