Previsibilidade em abordagens sinusais. Revisão conceitual.
Resumo
No início da utilização dos implantes endósseos como auxiliares das reabilitações, considerávamos a maxila posterior como um local de difícil resolução e planejamento. Tanto pela densidade óssea desfavorável como pela pneumatização do Seio Maxilar. Atualmente controlamos melhor esses fatores e nossa previsibilidade para essa área é muito mais favorável, desde que tenhamos uma visão multidisciplinar envolvendo a prótese adequada e quando necessário o enxerto ósseo para o Seio Maxilar.
Abstract
In the beginning of the use of the endosseos implants as auxiliaries in rehabilitations, we have considered posterior maxilla a very difficult place for resolution and planning, as for its unfavorable bone density as for the pneumatization of the maxillar sinus. Nowadays, we are better controlling these factors and our predictability for this area is much more favorable, since we could have a multiciplinary vision, which is involving an adequate prosthesis and whether necessary abone grafting procedure for the maxillar sinus.
Palavras Chaves
Seio Maxilar, previsibilidade, enxerto
KeyWords
Maxillary sinus, predictability , graft
Introdução
Ao concretizar o fenômeno
da Osseointegração, Branemark nos abriu um horizonte onde pudemos
melhorar e aprimorar todos os planeja- mentos envolvendo reabilitação
oral.Desde a reposição de um único dente, até umareabilitação
onde se restabelece todos os dentes em uma Overdenture ou uma Prótese
Fixa sobre hnplantes. Mas, para que isso OCOlTa, precisamos de dois fatores
em conjunto. O primeiro, um criterioso planejamento da prótese à
ser preterida, e o segundo,uma estrutura óssea remanescente capaz de
dar suporte e reter alguns implantes, para que se conseguisse realizar a protese
planejada.
Considerando somente a Maxila Superior, e tendo em mente que nessaregião
existemreabsorções ósseas em largura na pré-maxila
e na maxila posterior ocorre uma pneumatização do Seio Maxilar-
(Jensen 1990), vamos esbarrarem dois agravantes paranossoplanejamento: afaltade
tecido ósseo que nos dê condições para colocação
dos implantes e a qualidade óssea que a Maxila apresenta.
Planejamento para uma longevidade sinusaI
O grande desafio para as
perdas dentárias, já foi vencido,e colocar implantes atualmente,é
um procedimento de rotina nos consultórios do mundo todo. Talvez essa
intensa atividade implantodontica seja responsável em parte por alguns
insucessos e fracassos nas reabilitações envolvendo implantes.Justamente
por terem se tomado tão rotineiras, as implantações orais
são realizadas em muitos casos sem o menorplanejamento objetivando a
longevidade da prótese e dos implantes que as suportam.Principalmente
em maxila superior, onde o tecido ósseo não corresponde á
uma densidade ideal para a estabilidade inicial dos implantes, podemos observar
profissi- onais da área, realizando implantações derisco;
lançando mão de implantes demasiadamente curtos para não
haver invasão do Seio Maxilar, ou promovendo carga imediata onde não
existe osso remanescente disponível. Ocorre que pela densidade desse
osso, deveríamos estar preparados para optar por colocar implantes com
um maior comprimento, transferindo para a prótese uma biomecânica
mais favorável, e um braço de alavanca com uma resultante maior
para o implante, favorecendo uma estabilidade e longevidade para o conjunto
implante-prótese; bastando para isso adentrar o Seio Maxilar, realizando,
dentro da técnica, o procedimento de abertura e enxertia do mesmo.
As cirurgias para abordagem do Seio Maxilar precisam fazer parte dos planejamentos
em Maxila Superior, pois a previsibilidade desse procedimento pode ser avaliado
pelo intenso nUmero de trabalho a respeito, e desde que a técnica seja
respeitada, a anatomia da região conhecida e principalmente, a membrana
sinusal tenha se mantido intacta, o grau de sucesso se aproximados 91,7 % com
osso autógeno(Jensen- The Sinus Bone Graft)- Podemos considerar como
fator responsável para o insucesso das abordagens sinusais, a curva de
aprendizado do profissional.Pois o domínio da técnica, o conhecimento
anatômico da região, a rotina desse profissional em se reciclar
e principalmente a preservação da membrana sinusal(2- REGEV E,SMITR
RA, PERO1T DR, 3 TATUM OR JR; LEBownz MS, TA TUM), são tidos como principais
fatores para se alcançar o sucesso estatístico que se encontra
na literatura mundial.
A membrana sinusal é constitlúda poruma camada única de
Epitélio Cúbico Ciliado Pseudoestratificado, tendo a drenagem
do Seio para o àstio como uma de suas funções descritas
naliteratura. Sob a superfície epitelial,há tecido frouxo delgado,
altamente vascularizado, abaixo,em todas aáreas, está o periósteo.A
delicada mucosa do Seio, adere-se ao periósteo na superfície óssea.E$sa
característica é um fator importante de formação
óssea para a cirurgia deelevação do Seio Maxilar, pois
o periósteo fornece os osteoblastos encarregados da formação
óssea e pela vascularização do tecido frouxo chegam os
osteoclastos, células essas responsáveis pela reabsorção
óssea, onde através do processo de remodelação óssea
e pela liberação dos fatores de crescimento ocorre umamaior aposição
óssea, resultando em tecido ósseo capaz de dar suporte e estabilidade
aos nossos implantes.Portanto, a conservação da membrana sinusal
é um fator de extrema importância para a manutenção
da saúde do Seio Maxilar e para manter o arcabouço que irá
servir como barreira mecânica para o enxerto em questão( Osteopromoção
).Não só para manter a saúde do Seio Maxilar, mas também
para evitar a contaminação do enxerto colocado, pois uma possível
sinusite crônica presente nesse Seio, poderia contaminar e comprometer
nossa cirurgia.E considerando que em grande parte os enxertos para Seio Maxilar
são particulados, esses grânulos ósseos poderiam migrar
para dentro da cavidade sinusal e seperdero volume colocado ou ainda pior ,obliteraro
osteo e provocar o entupimento do único canal de drenagem natural presente
no Seio Maxilar, ocasionando uma sinusite, a alteração ou o cancelamento
das funções sinusais.

Com relação às elevações do assoalho do seio
maxilar seguidas de implantação em mesmo tempo cirúrgico,
clinicamente temos observado que seus resultados são muito satisfatórios,
desde que se tenha umremanescente ósseo com pelo menos 6 mm.Essaaltura
julgamos ideal para que o implante colocado simultaneamente ao enxerto possa
pennanecer estável no momento de sua colocação e também
durante o período de consolidação desse enxerto. Tomamos
essa atitude de somente realizar a implantação e o enxerto num
mesmo tempo para um bom remanescente ósseo em altura ,pois clinicamente
constatamos a perda de vários implantes colocados num único tempo
citúrgico, onde havia menos de 6 mm de altura óssea remanescente
e a conclusão chegada era de que apesar da boa estabilidade inicial,
a perda ocorria em função da pouca altura e da qualidade óssea
do local, pois esse implante sofria micromovimentos e ainterface resultante
era muito pobre.E para conflnnarnossa observação, ao retirarmos
o( s ) implante( s) perdido( s), e "sentinnos" o alvéolo com
umacureta, percebíamos que existia osso mais para cima e para os lados,
demonstrando que realmente o enxerto haviase remodelado e ao colocarmos umimplante
de um diâmetro maior ,havia uma ancoragem e uma estabilidade inicial muito
boa, mostrando-nos que o fibrosamento da interface somente ocoma pela não
estabilidade e pela movimentação do implante
Não podemos esquecer que com a perda do elemento dental natural o osso
alveolar sofreu perda de substância em altura, portanto para que consigamos
a oclusão do dente superior com o antagonista, este com certeza vai possuir
uma coroa alongada, o que funciona, com efeito, como uma alavancaBiomecânicaindesejável.
Portanto, para que tenhamos uma melhor previsibilidade temos a obrigação
de utilizar implantes mais longos nessa região. Tiramos agora outro exemplo
como em uma suposta implantação agora com osso basal não
suficiente em altura para implantação imediata, juntamente com
a elevação do assoalho sinusal. Percebemos que por mais material
de enxertia que coloquemos nesta cavidatle, mesmo que este seja, por exemplo,
osso autógeno particulado, existe um limite de altura óssea a
integrar-se, ou seja, o limite para este osso enxertadQ integrar-se está
diretamente relacionado com a quantidade de irrigação que esta
cavidade possui.
Portanto, conhecendo bem esta região anatomicamente percebemos que a
quantidade de enxerto a integrar-se está diretamente relacionado com
a capacidade de irrigação desta cavidade. É comum algumas
vezes após enxertiaem seios muito pneumatizados e com 'grande quantidade
de material de preenchimento após um período médio de 06
meses no acompanhamento radiográfico, grande parte deste osso reabsorver.
Sendo portanto comum na segunda abordagem na época da colocação
do implante, ser necessário uma complementação do enxerto
do seio maxilar, pois não houve irrigação suficiente para
manter aquela grande quantidade de material de enxerto colocado inicialmente.
Portanto, para que tenhamos uma previsibilidade e longevidade nas abordagens
sinusais, precisamos estar atentos á uma constante reciclagem cientifica,
conhecer com bastante detalhes a anatomia e Fisiologia daregião, dominar
a técnica cirúrgica e seus materiais á serem utilizados
e conseqüen- temente estar atento á um planejamento protético
prévio à cirurgia, pois assim faremos a inserção
do enxerto e dos implantes em posição favorável, promovendo
um equibôrio da Biomecânica da reabilitação antes
planejada.
Para que se tenha uma previsibilidade das implantações em Maxila
Posterior, devemos ter em mente que o material utilizado na enxertia tem grande
influência no processo de remodelação óssea, e que
o osso autógeno é o grande escolllido para a abordagens sinusais.
Segue caso clínico onde desde a cirurgia de enxerto até hoje já
se passaram 4anos e radiograficamente o osso permanece estável e em função.
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