Apresentação de
técnica de confecção de coroa
unitária sobre pilar pré-existente
Este
trabalho tem a finalidade de apresentar uma técnica de confecção de coroa
unitária sobre implante que tem, como característica principal, o
aproveitamento do mesmo pilar (munhão, abutment) utilizado na confecção de
coroa provisória para a confecção do trabalho final, sem a necessidade de
nova moldagem em boca, e sem o comprometimento da estética e função neste
período, pois possibilita a manutenção do mesmo pilar e mesmo provisório
durante todas as fases de confecção da prótese definitiva.
This study has the purpose of presenting a technique of making a unitary crown over implants that has, as main characteristic, the use of the same abutment used in the making of the temporary crown for the making of the final work, without the need of a new molding in the mouth, and without the compromising the aesthetics and function in this period, because it makes possible the maintenance of the same abutment and the same temporary crown during all the phases of making the definitive prosthesis.
Implante
-carga imediata -coroa unitária -pilar
Implant
-immediate load -unitary crown -abutment
A
confecção de uma coroa unitária é sempre um desafio para o clínico.
Muitos são os requisitos a preencher para alcançar a excelência estética e
funcional no resultado final, ainda mais quando o dente análogo
(correspondente) ao que estamos reproduzindo funciona como um espelho e
comparativo para o resultado final. A cor, tarnanhoe posição do dente, seu
perfil de emergência e a harmonia gengival, como a altura e formato do arco côncavo
gengival, a oclusão com a reprodução da anatomia funcional do dente, tudo
isso deve ser copiado de forma a devolver a harmonia a uma dentição (TOUAll
B et AlI999).
Em
implantodontia estes desafios começam mais cedo, ainda no segundo tempo cirúrgico,
onde grandes devem ser os cuidados com os tecidos periodontais para que não
haja o fracasso no resultado estético final.
Com
o advento da carga imediata esta preocupação é antecipada ainda mais,
quando no ato dainstalação do implante os cuidados com tecidos moles já são
detenninantes do resultado estético imediato e mediato.
Atualmente
com a consolidação da osseointegração, e evolução das técnicas
cirurgicas, como a carga imediata, a implantodontia tem seus olhos voltados
para a otimização da estética tanto da prótese quanto dos tecidos
periimplantares, e assim nos vemos quase "obrigados" pela ansiedade
de nossos pacientes a desenvolvermos soluções cada vez mais imediatas, mais
estéticas e também mais econômicas, semabrirmão daqualidade do trabalho
final, tornando este paradoxo um conflito em nossa clínica diária.
Proposta
Este
trabalho tem a finalidade de apresentar uma técnica de moldagem para a confecção
de protese unitária cimentada, sobre implante, e, tem como característica
principal, o aproveitamento do mesmo pilar utilizado desde a confecção da
coroa provisória (seja desde a instalação do implante quando do uso de
carga imediata, quanto na abertura do implante no segundo tempo cirurgico)
paraaconfecção do trabalho final. Não há neste período o comprometimento
da estética e função do paciente, pois a técnica possibilita a manutenção
do mesmo pilar e do mesmo provisório durante todas as fases de confecção da
protese definitiva. Foi desenvolvida pelas necessidades apresentadas em casos
de carga imediata, onde o pilar utilizado inicialmente para a colocação do
provisório preenchia satisfatoriamente os requisitos para a confecção da
protese definitiva. Quando do uso dos procedimentos convencionais de moldagem,
nos deparávamos com dificuldades devido ao tempo gasto, custos, manutenção
da estética e a necessidade de criar o menor trauma possível e evitar
idealmente uma perda irreversível de altura dos tecidos (RAMADAN F A,
HARRISON fi 1970 -NEMEIZ EH, SEffiY W 1990) e a precisão final de nossos
trabalhos.
Justificativa
Convencionalmente,
uma vez colocado o provisório, atenção especial é dada à estética, onde
com a utilização da resina acrílica ativada quimicamente, através de acréscimos
e recontornamentos periódicos, procuramos a excelência da estética
gengival, obtendo tecidos sadios, perfil de emergência correto e arco côncavo
gengival em harmonia com os dentes vizinhos.
Esta
técnica oferece também a vantagem de permitir a reprodução da arquitetura
gengival conseguida, através de um simples procedimento de rnoldagem.
De
acordo com as técnicas existentes, ao fazer a moldagem de trabalho, dois
caminhos podem ser seguidos: o uso de um novo pilar para a confecção da prótese
definitiva ou o aproveitamento do pilar existente para confecção da prótese
definitiva.
Através do uso de um novo pilar para a confecção da protese definitiva nos deparamos com a utilização da técnica convencional de transferência do posicionamento do implante em relação ao arco dentário (pAREL SM, SUILlV AN DY 1989), o que nos leva a um maior numero de procedimentos de moldagens, o que requer um maior numero de sessões, como também, aumentam as agressões aos tecidos circundantes pela remoção e recolocação do pilar edo provisório.






No
entanto, apesar da vantagem econômica quando aproveitamos o pilar existente
para a confecção da prótese definitiva, se faz necessário o uso de um
procedimento de moldagemfuncional que copie o pilare promova o afastamento
gengival, causando assim uma maior agressão aos tecidos (11IOMPSON, M. J.
1949 -CmCHE, G. J. & PINAULT, A. 1996 e RUFENACHf, C. R. 1998),
procedimento este que convencionalmente é feito pela técnica do casquete
(CANNlSTRACI, A. J. 1962).
1-avaliação
positiva do pilarexistente edo contorno gengival obtido (figura 01);
2-
fixação de um componente de mo1dagem cônico a um análogo (figura 02); 3
-manipulação de uma pequena porção de silicona pesada e introdução do
componente cônico de mo1dagemnesta silicona, deixando 2/3 do análogo do
implante paraforadamesma. Estamoldagem tem apenas a finalidade de criar um alívio
pelo componente cônico na silicona pesada (figuras 03 e 04);
4
-remoção do provisório e remoção do pilar da boca e sua fixação ao análogo
e preenchimento do orifício do parafuso com cera (figura 05 e 06);
5
-manipulação de silicona leve e, com auxílio de uma seringa de moldagem, o
pilar é "pintado" e o restante é utilizado para preencher o orifício
aliviado na silicona pesada (figuras 07 e 08). O conjunto pilar/análogo é
introduzido no orifício aguardando a polimerização da silicona (figura 09).
6
-avaliação do molde obtido (figura 10).
7
-recolocação do pilar e provisório em boca, e o paciente é dispensado. 8-é
realizado o vazamento do molde com gesso especial tipo N, comreforço
metálico interno, obtendo assim um troqueI que é o modelo fiel do pilar
preparado (figura II e 12);
9
-confecção do coping com retenções mecânicas em resina Patern@ sobre o
modelo obtido para possibilitar a futura transferência da posição do pilar
em relação ao arco dentário (figura 13);
10
-remoção apenas do provisório, limpeza do pilar, remoção dos restos de
cimento e prova do coping de transferência em boca, verificando a adaptação
do mesmo ao pilar e seu assentamento (figura 14);
II
-passar adesivo para silicona (BOMBERG TJ et Al1988) na porção externa do
coping e coloca-lo em posição no pilar;
12
-moldagem de transferência do coping: esta transferência é feita com
moldeira de estoque usando a técnica de reembasamento (moldagem pesada / alívio
/ silicona leve). Após a moldagem com a silicona pesada e alívio, é
injetada silicona leve na porção externa do coping para copiar o perfil de
emergência e a arquitetura gengival conseguida com o provisório. Não
indicamos a técnica de moldagem única devido a maior possibilidade nesta técnica
do fechamento da gengiva pela pressão da silicona pesadadefonIlando assim a
arquitetura gengival conseguida com o provisório (UV ADmS, G. J. 1998
-MARllGNONI, M. 1987);
13
-remoção e avaliação do molde (figura 15). Moldagem da arcada antagonista,
registro das relações maxilomandibulares, e tomada da cor do dente;
14
-o provisório é reposicionado no pilar e o paciente é dispensado;
15
-o troqueI deve ser isolado. Como molde em mãos, o troqueI é encaixado
(MEZZOMO, E. 1994) no coping de resina Patern@ (localizado no interior do
molde). É realizado o vazamento da gengiva artificial e do gesso para obtenção
do modelo total (figuras 16 e 17);
16
-no modelo de trabalho, após o escaneamento do pilar (procedimento este que
pode também, ser feito logo após a obtenção do troquelitem 8), o coping de
procera@ é obtido (figura 18).
17
-prova clínica do coping procera@.
18
-aplicação da porcelana sobre o coping procera@. (figura 19);
19
-prova clínica da coroa, onde deve ser avaliada a cor, o perfil de emergência,
contatos proximais, trespasse vertical e horizontal, comprimento da coroa,
contatos cêntricos e as trajetórias protrusivas.
20
-o dente é enviado ao laboratório para a aplicação do glaze.
21
-cimentação da coroa e caso concluído. (figura 20)
-economia
para o paciente por eliminar a necessidade de um novo pilar;
-diminuição
do número de procedimentos clínicos;
-é
evitada a moldagem em boca pela técnica de afastamento mecânico ou químico-mecânico;
-a
técnica oferece precisão na moldagem tanto do pilar quanto da estética
gengival;
-pode
ser usada para confecção de outros sistemas livres de metal, bem como para a
utilização de copings metálicos;
-rapidez,
facilidade da técnica e precisão tanto na oclusão, como na adaptação do
coping ao pilar e na preservação da arquitetura gengival; -em casos de carga
imediata, aproveitamento do mesmo pilar desde o provisório até a prótese
final;
-usada
também quando necessária a troca de uma coroa por motivos de fratura, estética,
e outros, aproveitando o pilar já existente.
Com
esta técnica temos a vantagem econômica devido a utilização do mesmo pilar
desde a fase inicial do provisório, e também evitamos um procedimento de
moldagem em boca pela técnica de afastamento mecânico ou químico-mecânico.
Também são diminuídos os procedimentos de remoção e reposicionamento do
pilar. O paciente se mantém durante todo o tratamento com o mesmo pilar e o
mesmo provisório. A técnica toma os procedimentos mais rápidos, precisos e
menos estressantes para o profissional, sem diminuição na qualidade do
trabalho terminado.
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