Utilização
de Abutment Cônico na Reabilitação do Espaço Protético
Relato de Caso Clínico
Levingstom
Rubens Sonsa Rocha*
RESUMO
A utilização de abutment cônico em implantodontia é
sustentada por vários autores. A atenuação da carga (estresse) sobre a interface
óssea é sua maior qualidade.
Relatamos este caso em que abutments cônico foram utilizados
na solução da reabilitação de perdas dentais posteriores sem o espaço protético
inicialmente adequado para a utilização desses abutments. Foi conseguido espaço
através de desgastes e reescultura das oclusais dos dentes superiores após tratamento
endodôntico dos mesmos, retificando os planos oclusais e curvas de SPEE e WILSON
sem alteração da dimensão vertical de oclusão inicial.
Foi feita prótese fixa nos elementos 32, 33, 34 e coroa
de porcelana pura no 43 para criarmos o princípio de oclusão mutuamente protegida.
Foi executado, também, prótese fixa nos elementos 13,
14 e 15 na solução de ausência do elemento 14.
ABSTRACT
The use of EP Abutment in implantodology was suport
by several authors. The best quality usage of the abutment it's The low stress
rate.
The author shows a case with the use of EP Abutments
on 3i Implant Inovation implants in the posterior area of the jaw.
The use of the abutment for the reconstruction of the
prothetic with less stress.
INTRODUÇÃO
No trabalho inicial em que apresentou a osseointegração,
P .I. Branemark já preconizava a utilização de abutments como mecanismo protetor
da interface óssea. Os abutments seriam os responsáveis biomecânicos pela atenuação
da carga exercida sobre o sistema implante-coroa, protegendo a interface óssea
da carga mastigatória deletérias. A evolução dos abutments teve um grande avanço
com a criação do abutment EP (3i Implant Inovation, Inc. ) que reuniu em um
só componente qualidades pertinentes do Abutment Standard, tapered Abutment
e Abutment Cônico. Desta forma, esse novo componente permitiu reabilitar tanto
dentes anteriores quanto posteriores, servindo igualmente para estética e função.
O presente trabalho demonstra um caso em que, utilizando-se
Abutment EP (cônicos) o autor pode reabilitar, estética e funcionalmente, a
oclusão do paciente.
RELATO DO CASO
O paciente do sexo feminino com 46 anos exibia uma perda
dental na região posterior direita, seguida de perda óssea e grande extrusão
dos elementos posteriores o que limitava demasiadamente o seu espaço protético
para o uso de abutment intermediários especialmente (Fig.1 ) .
O tratamento proposto foi a colocação de implantes osseointegrados
na mandíbula unilateralmente e sobre esses a instalação de prótese fixa parafusada.
Foram utilizados implantes de titânio de 3.75 de diâmetro
por 11.5 de comprimento e 10 mm da anterior para posterior respectivamente (3i
Implant Inovations, Inc.) que aguardaram submersos os quatro meses de reparo
propostos (Fig. 2).
Foi colocado um implante para cada raiz em virtude de
não contarmos com espessura óssea suficiente para implantes de largo diâmetro.
Findo o período de osseointegração os implantes foram
expostos e sobre eles colocados cicatrizadores com perfil de emergência de 5
mm e para isso usou-se bone profile adequado que cria o perfil a partir da crista
óssea (Fig. 3).
Aguardou-se um período de 30 dias entre a colocação
dos cicatrizadores e a moldagem de transferência com transferentes quadrados
a partir da superfície de assentamento dos implantes (Fig. 4). Transferimos
a superfície de assentamento dos implantes para buscarmos através dos desgastes
oclusais posteriores superiores a distância inter oclusal necessária para o
uso do EP Abutment que é de 6.7 a 7 mm. Isso conseguido optamos por EP Abutment
( cônico ) com 1 mm de cinta, apesar da profundidade dos sulcos serem de 4 mm,
isso em função da distância inter oclusal medida a partir da superfície de assentamento
dos implantes só permitir essa altura de cinta (Fig. 5).
Sobre os abutments foram utilizados cilindros
de ouro que devidamente encerados deram forma as coroas dos dentes.
Após prova do metal aplicou-se material estético
(por- celana noritake) sobre os copings mantendo-se os princípios de plataformas
oclusais estreitas e força dirigida ao longo eixo dos implantes. Optamos por
uni-los por estarem em
área de grande esforço mastigatório e o primeiro implante referente ao elemento
45, o contato cêntrico não se fazia no longo eixo do implante. Procedeu-se os
ajustes oclusais necessários (Fig. 6).
A figura 7 mostra o aspecto final do caso em cêntrica
provando que não houve aumento de dimensão vertical de oclusão, pois, as restaurações
dos elementos 35, 36 e 37 não foram alteradas.
A figura 8 mostra o movimento funcional no lado de trabalho
com desoclusão no canino e para isso fizemos coroa de porcelana pura neste elemento
que tinha forma cônica anteriormente, como se comprova na figura 1.
Na figura 9 observa-se movimento funcional protusivo e prótese
fixa nos elementos 32, 33 e 34 para suprir ausência do 33 e estabelecermos o
princípio de oclusão mutuamente protegida. Foi feito ainda prótese fixa nos
elementos 13, 14 e 15 para suprir ausência do 14. Sendo que no elemento 15 havia
presença de um molar que transformamos em pré, para propiciar espaço e estética
para o portico.
Foi necessário tratamento endodôntico nos elementos
posteriores superiores para adquirirmos a distância inter oclusal necessária
através de desgastes e reescultura no sentido de regularizar o plano oclusal
(Fig. 10).

Fig. 01 Fig.
02 Fig.
03

Fig. 04 Fig.
05 Fig.
06

Fig. 07 Fig.
08 Fig.
09

Fig. 10
CONCLUSÃO
Sempre que possível devemos utilizar abutments para
reabilitação dos casos de implantes. A justificativa de que a pequena dimensão
vertical ou a pouca espessura gengival, comum aos espaços desdentados posteriores,
impede a sua utilização fica claramente desmentida neste artigo.
Utilizando EP Abutments e cilindros de ouro, conseguimos
reabilitar um caso clínico de bastante complexidade sem detrimento da estética
final.
REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS
Rieger, M. The Passive Fithing Implant Restoration. Soc., 4:8-15, 1993.
Jeant, T. In Vivo Measurements of Precision of Fit Involving Implant-Supported Protheses in the Edentulous Jaw. UOMI, 11:151-158, 1996.
*Especialista em prótese dental, Mestrando em Implantodontia, Membro do Grupo Brasileiro de Professores de Dentística.