Análise
de tensões em implantes osseointegrados por elementos
finitos: Variação da ancoragem e diâmetro dos
implantes
Maria Cecília
Corrêa de Sã e Benevides de Moraes*
Eduardo José de Moraes**
Carlos Nelson Elias***
Resumo
O presente trabalho consiste na análise de tensões
por elementos finitos de implantes osseointegrados de mesmo diâmetro com variação
de ancoragem (mono e bicortical) e uma análise comparativa da variação do diâmetro
dos implantes (3,75 e 5,00 mm). Os resultados obtidos indicaram que o implante
bicorticalizado apresentou menores tensões na região de osso cortical do que
o implante monocorticalizado, no entanto, há aumento das tensões na supraestrutura.
Em relação ao diâmetro, o implante de largo diâmetro apresenta melhor distribuição
das cargas aplicadas no complexo pilar-implante.
Palavras-chaves
Osseointegração, método de elementos finitos, implante
de largo diâmetro, bicorticalização.
Abstract
The present work consists in a finite element
method stress analyze of osseointegrated implants with the same diameter and
the ancorage variation (monocortical and bicortical) followed of a comparative
analyze of diameter variation (3,75 and 5,00 mm). lt was verified that the bicortical
implant presented low stressin the cortical bone region than a monocortical
one, however, occurred high stress in superstructure. Concerning to the implant
diameter, the wide diameter implant presented a best load distribution in complex
abument-implant.
Key-words
Osseointegration , finite element method, wide implant,
bicorticalization.
Introdução
Os implantes osseointegrados têm sido utilizados na prática
clínica desde 1965, quando se iniciou um estudo clínico longitudinal realizado
por ADELLet al. ( 1981 ). Após 15 anos de acompanhamento clínico, ficou
comprovado o sucesso e a previsibilidade desta modalidade de tratamento. No
entanto, durante este estudo foram constatadas a ocorrência de algumas complicações
mecânicas que mais tarde foram corroboradas e reavaliadas por diversos autores
(JEMT .et al, 1992; MORGAN & JAMES, 1993; BALSHI, 1996b).
ADELL et al. (1981) consideram como um dos fatores fundamentais
para o insucesso das reabilitações sobre implantes, a sobre-carga
na supraestrutura. Tendo em vista que as forças mastigatórias
geram
tensões, as quais podem acarretar danos à estrutura óssea e aos componentes
protéticos. Aspectos relacionados à biomecânica das reabilitações com implantes
osseointegrados têm recebido destaque nos trabalhos encontrados na literatura,
os quais procuram encontrar soluções para minimizar os problemas desta natureza.
A bicorticalização e a utilização de implantes de largo
diâmetro são opções de tratamento muito utilizadas na atualidade. Principalmente,
no sentido de proporcionar uma melhor distribuição das tensões na interface
óssea e com isso apresentar uma maior resistência às cargas mastigatórias do
complexo supraestrutura-implante.
BRANEMARK et al, ( 1987); IVANOFF et al, (
1996) reportaram resultados favoráveis com a ancoragem bicortical de implantes
nos assoalhos das fossas nasais e seios maxilares. Mais recentemente, SCHNITMAN
et al (1997), incluíram a bicorticalização como uma das condições importantes
a serem adotadas para o protocolo de aplicação de carga imediata em implantes
osseointegrados;
LANGER et al. (1993) sugeriram o uso de implantes
de maior diâmetro como alternativa de tratamento em situações especiais do tecido
ósseo, destacando-se os casos com pouca altura e áreas de grande concentração
de cargas, tais como as regiões posteriores de maxila e mandíbula. Desde então,
implantes de maior diâmetro vêm sendo sugeridos como boa alternativa para a
solução de casos clínicos por alguns autores. (BECKER & BECKER, 1995; BAHAT.
& HANDELSMAN, 1996; IVANOFF et al., 1997; BRUNSKI et al., 2000;
TAYLOR et al.2000).
O presente trabalho consiste em uma análise das
tensões em implantes osseointegrados utilizando o método de elementos finitos
(MEF). O estudo de modelos com elementos finitos permite a simulação e análise
de tensões com confiabilidade, por intermédio da construção de modelos matemáticos.
Mediante a reprodução do implante, da supraestrutura, do tecido ósseo e empregando-se
o MEF é possível obter-se resultados melhores que os estudos similares com fotoelasticidade
(MEIJER et al. 1993).
Neste trabalho foram realizadas simulações mediante
a modelagem de reabilitações unitárias com implantes osseointegrados bicorticalizados
e de largo diâmetro, no sentido de analisar o comportamento mecânico da estrutura
quando submetido as cargas funcionais
Materiais e Métodos
No
presente trabalho empregou-se o método dos elementos finitos para simular
o carregamento de próteses sobre implantes osseointegráveis, com o auxílio
do programa Ansys. Este programa vem sendo descrito pela literatura como adequado
e preciso para avaliação de sistemas complexos, tais como os componentes dos
, implantes osseointegrados (HOLMGREN, 1998; BARBIER et al., 1998; STEGAROIU
et al., 1998a; 1998b)
Para a avaliação das tensões desenvolvidas no complexo
pilar- implante foi confeccionado um modelo para representar as relações entre
os componentes da estrutura. Foram utilizadas as dimensões de peças fabicadas
e comercializadas pela empresa Conexão Sistemas de Prótese (São Paulo, SP).
Utilizou-se um implante osseointegrado rosqueável de hexágono externo, que é
confeccionado em titânio comercialmente puro. Foram utilizados implantes de
3,75 mm de diâmetro por 10,00 mm de comprimento e implantes com 5,00 mm de diâmetro
por 10,00 mm de comprimento.
O pilar intermediário foi do tipo Esteticone, indicado
para próteses parafusadas. Estes pilares foram fixados ao implante por intermédio
do parafuso de fixação do pilar, que também foi modelado no desenho. Para supraestrutura
protética, foram modelados os componentes protéticos: o cilindro ou "coping"
de ouro do tipo cônico, parafuso de ouro na parte superior do pilar intermediário
e a coroa protética adaptada ao cilindro de ouro com revestimento de porcelana
e coroa angulada de 30º.
Um corte de segmento Ósseo humano mandibular foi modelado
com a primeira cortical, osso trabecular ou esponjoso e segunda cortical. Foram
desenvolvidos dois modelos, um para implante ancorado em uma cortical, implante
monoancorado e outro para implante ancorado em duas corticais, implante biancorado.
A primeira cortical apresenta-se com altura de 1,0 mm e a segunda cortical com
altura de 2,0 mrn. A altura óssea total foi de 18,0 mm. A largura da área de
osso moderada foi de 5,0 mm em ambos os modelos. As dimensões usadas nos modelos
são normalmente encontradas em humanos adultos.
Desta forma, determinou-se a localização dos pontos
do modelo e gerou-se uma malha de elementos finitos que permitiu uma discretização
das estruturas do modelo, tendo sido realizada a análise de convergência da
malha.
Os valores das propriedades mecânicas dos materiais
empregados no presente trabalho foram obtidas na literatura e são apresentadas
na TAB. 1.
Tab 1: Propriedades Mecânicas dos Materiais
|
MATERIAL
|
MÓDULO
DE ELASTICIDADE OU DE YOUNG (E) GPa
|
COEFICIENTE
DE POISSON
|
AUTOR
|
|
Osso
Cortical
|
13,70
|
0,30
|
(A)
|
|
Osso
Trabecular
|
1,37
|
0,30
|
(A)
|
|
Titânio
|
110,00
|
0,33
|
(B)
|
|
Liga
de Ouro
|
90,00
|
0,30
|
(C)
|
|
Porcelana
|
70,00
|
0,22
|
(D)
|
A)
BARBIER et al., 1998; MENICUCCI et ai., 1998; TORTAMANO &
VIGORITO, 1998.
B) BARBIER et al., 1998; HOLMGREN et al., 1998.
C) BARBIER et al., 1998; STEGAROIU et al., 1998a, STEGAROIU et
al., 1998b, BENZING et al., 1995; VAN ZYL et al., 1995.
D) STEGAROIU et al., 1998a.
Para
a viabilização deste trabalho, buscando tornar a modelagem e a solução do processo
possíveis, foram adotadas algumas hipóteses simplificadoras. Os materiais envolvidos
nesta análise foram considerados homogêneos, isotrópicos e linearmente elásticos.
Uma estrutura axissimétrica foi definida para o modelo geométrico bidimensional.
Uma secção longitudinal das estruturas foi modelada.
As estruturas foram modeladas como sendo uma unica peça,
considerando-se as uniões entre os componentes como uma união rígida, não permitindo
qualquer movimentação relativa entre os componentes, o que tornou a análise
estática e linear.
Os carregamentos atuantes nas estruturas modeladas neste
trabalho são diversificados, e optamos por considerar situações críticas envolvendo
condições de carregamento axial. Os esforços foram aplicados através de cargas
concentradas em pontos reconhecidos como críticos do ponto de vista da estrutura
em serviço. O valor da força aplicada foi retirado da literatura. (CAPUTO &
STANDLEE, 1987; RICHTER, 1995).
A análise efetuada constituiu na aplicação de uma carga
axial de 100 N concentrada na metade do raio da prótese (distribuída em uma
linha) para análise do tipo de ancoragem do implante (monocortical e bicortical);
e uma carga axial de 100 N distribuída em um segmento de 1,55 mm próximo à extremidade
da coroa protética (carga distribuída em uma área) para análise da variação
do diâmetro do implante (3,75 mm.e 5,00 mm).
Para o emprego do MEF é necessário definir as
condições de contorno para o modelo, ou seja, determinar os pontos que irão
fixar o modelo do espaço e se opor às forças externas.
A análise que envolveu o tipo de ancoragem do
implante, tanto para o implante monoancorado como para o implante biancorado,
foram restringidos os nós da base do osso da 2ª cortical bem como de toda
lateral do tecido ósseo presente nestes modelos. Na análise da variação da largura
do implante foram restringidos os movimentos dos nós do implante que estão em
contato com o tecido ósseo.
Foram avaliados o comportamento biomecânico das
regiões correspondentes ao implante osseointegrado, aos componentes de sua supraestrutura
e seu tecido ósseo de suporte. Os valores das tensões foram obtidos a partir
das imagens gráficas das tensões de von Mises obtidas com o programa Ansys.
A análise qualitativa foi realizada por observação visual das imagens. A análise
quantitativa foi realizada através do gradiente de cores que fornece o valor
máximo e mínimo para cada cor que representa a intensidade de tensão ocorrida
em uma região em N/mm2 ou MPa.
Resultados
A partir das imagens gráficas geradas pelo
programa para a condição de monocorticalização (FIG.1) e bicorticalização (FIG.2),
foi possível determinar as tensões máximas para os componentes modelados no
presente trabalho.
Na análise de variação do tipo de ancoragem,
as tensões máximas para os componentes são apresentadas na TAB. 2.
Tab 2: Tensões máximas nos componentes com a variação da ancoragem do implante (N/mm2)
|
COMPONENTES
|
IMPLANTE
MONOANCORADO
|
IMPLANTE
BIANCORADO
|
|
Coroa
protética
|
4,5
|
7,0
|
|
Parafuso
de ouro
|
3,5
|
5,4
|
|
Cilindro
de ouro
|
2,5
|
3,1
|
|
Pilar
intermediário
|
2,5
|
3,1
|
|
Parafuso
de fixação do pilar intermediário
|
2,5
|
3,1
|
|
Implante
|
2,0
|
4,6
|
|
1ª
cortical óssea
|
1,0
|
0,7
|
|
Osso
trabecular
|
0,5
|
0,7
|
Os
resultados obtidos mostraram que a tensão máxima ocorreu no componente coroa
protética, próximo à região de aplicação da carga para ambas condições de ancoragem.
A coroa protética e os demais componentes do sistema
de implantes analisado, mostraram um aumento nas tensões para a condição de
biancoragem.
Porém, a região de osso cortical, próxima ao pescoço
do implante, mostrou uma redução das tensões em aproximadamente 40 % para a
condição de implante biancorado.
A partir das imagens obtidas para a análise da variação
do diâmetro do implante em 3,75 mm (FIG.3) e 5,00 mm (FIG.4), determinou-se
as tensões máximas obtidas para os componentes modelados neste trabalho.

Na análise da variação do diâmetro do implante,
as tensões máximas obtidas para cada componente modelado são apresentadas na
TAB.3.
Tab 3: Tensões máximas nos componentes com a variação do diâmetro do implante (N/mm2)
|
Componentes
|
Diâmetro
de 3,75 mm
|
Diâmetro
de 5,00 mm
|
|
Coroa
Protética
|
0,7
|
0,5
|
|
Parafuso
de ouro
|
0,4
|
0,4
|
|
Cilindro
de ouro
|
0,9
|
0,5
|
|
Pilar
intermediário
|
1,3
|
0,8
|
|
Parafuso
de fixação do pilar intermediário
|
0,9
|
0,7
|
|
Implante
|
1,2
|
0,6
|
As tensões
máximas foram observadas na região inferior do pilar intermediário para os implantes
de 3,75 mm e 5,00 mm de diâmetro.
Na TAB.3,
é possível verificar que as tensões nos componentes foram iguais ou menores
para a condição com implante de 5,00 mm de diâmetro.
Os valores
das tensões na região inferior do pilar intermediário, foram reduzidas em cerca
de 60 % quando da utilização do implante com diâmetro de 5,00 mm.
Discussão
Comparando-se
os dois tipos ancoragem monocortical e bicortical, verificou-se que as tensões
máximas foram encontradas na coroa protética, no ponto de aplicação da carga
(TAB.2), correspondendo a tensões 1,5 vezes maiores para o implante biancorado.
Todos os outros componentes, também apresentaram aumento das tensões para a
condição de ancoragem bicortical.
IVANOFF
et al. (1996), estudaram a influência da mono e bicorticalização de implantes
de 10 mm e de 16 mm de comprimento por 3,75 mm de diâmetro instalados em tíbias
de coelhos. Ensaios de remoção por torque mostraram que os biancorados necessitavam
de um torque duas vezes maior que os monoancorados após 6 semanas e um torque
três vezes maior após 12 semanas.
O implante
bicorticalizado apresenta maior área de interface osso-implante e de melhor
qualidade. O osso apresenta-se mais denso e mais compacto, com maior módulo
de elasticidade, sofrendo menor deformação que o osso trabecular, sendo portanto
mais resistente, promovendo uma melhor fixação e ancoragem do implante, o que
justificaria a necessidade de maior torque para sua remoção. Além disso, este
fato poderia explicar o aumento nas tensões no implante e supraestrutura para
a condição de bicorticalização, e ainda a redução das tensões na região de osso
cortical observada neste trabalho, considerando que o implante está ancorado
em osso mais resistente.
Resultado
aparentemente contraditório foi obtido por IVANOFF et al. (2000), ao
analisar a influência do tipo de ancoragem em uma retrospectiva de 15 anos com
casos clínicos, concluindo que os implantes com ancoragem bicortical apresentaram
uma taxa de fratura 3 vezes maior que os implantes monoancorados.
No presente
trabalho, a região correspondente ao terço médio do implante, mostrou tensões
máximas aumentadas em aproximadamente 2,5 vezes para a ancoragem bicortical,
o que corrobora com os resultados de IVANOFF et al. (2000). Na bicorticalização,
a distribuição de tensão no implante torna-se mais heterogênea, a qual é agravada
pela forma de parafuso do implante que possui áreas de concentração de tensão.
Em consequência, a possibilidade de fratura de componentes aumenta.
As tensões observadas
neste trabalho na região de osso cortical próxima ao pescoço do implante, diminuiram
em 40 % quando empregou-se a ancoragem bicortical, o que está de acordo com
o trabalho de RANGERT et al.(1989), onde afirmaram que os implantes biancorados
apresentaram diminuição dos níveis de tensões no osso cortical ao redor do pescoço
do implante. Este resultado corrobora ainda com os resultados de BIDEZ &
MISCH ( 1992), que afirmaram que uma carga elevada, aplicada a um implante osseointegrado,
pode gerar danos aos tecidos ósseos adjacentes e influenciar na longevidade
do tratamento. Estas cargas elevadas poderiam levar à perda da osseointegração,
mostrando assim, a importância da bicorticalização dos implantes na transmissão
de cargas.
O osso trabecular, menos denso
e com menor módulo de elasticidade, está presente na base do implante em condição
de monocorticalização: Este osso, com menor módulo de elasticidade, apresenta
menor resistência ao carregamento aplicado e uma deformação maior. Como consequência,
maiores tensões são observadas na região de osso cortica! para os implantes
monocorticalizados.
Neste trabalho, como foi anteriormente
citado, foram analisados implantes com diâmetro de 3, 75 mm e 5,0 mm. Nesta
análise, as tensões máximas foram observadas na região inferior do pilar intermediário
para ambos os modelos, conforme TAB.3. Este fato pode ser explicado pela combinação
da geometria da estrutura e carregamento distribuído em um segmento próximo
à extremidade da coroa protética.
Os valores das tensões encontradas nesta região foram
reduzidas em cerca de 60% quando da utilização do implante com diâmetro de 5,00
mm. Este resultado corrobora com as afirmativas de RICHTER (1989), que para
se minimizar os problemas biomecânicos nestas estruturas, deve-se usar implantes
com maiores diâmetros. A concentração de tensões no osso cortical gera áreas
de destruição óssea na região próxima ao pescoço do implante, o que deve ser
evitado já que o osso cortical é um elemento de suporte. Resultado semelhante
foi encontrado por MATSUSHITA et al. (1990), mediante simulação bidimensional
por elementos finitos, também concordam com este resultado, quando concluíram
que quanto maior o diâmetro do implante, menores são as tensões no osso cortical.
BALSHI ( 1996a), afirmou que
as causas das fraturas estariam relacionadas com os defeitos intrínsecos do
material, falta de passividade na adaptação da estrutura metálica da prótese
e sobrecarga fisiológica ou biomecânica, sendo esta a principal causa das fraturas
em implantes. Em virtude das cargas mastigatórias serem mais elevadas em região
posterior, o autor sugere que implantes de maior diâmetro sejam utilizados,
quando possível, na reposição de implantes fraturados nesta região, o que já
havia sido indicado também por EVIAN & CUTLER ( 1995), objetivando com isso
reduzir as tensões transmitidas para as estruturas de suporte.
IVANOFF et al. ( 1997),
realizaram ensaios de remoção por torque ) em implantes instalados em tíbia
de coelhos, concluiu que o torque de remoção é diretamente proporcional ao diâmetro
do implante a resistência ao deslocamento está relacionada com a superfície
do implante em contato com a cortical óssea e que a previsibilidade de sucesso
do implante aumenta quando seu diâmetro é maior.
McGLUMPHY et al. (1998), sugerem
a colocação de implantes de maior diâmetro para reduzir os efeitos das cargas
oclusais excêntricas.
LANGER et al. (1993) sugeriram o
uso de implantes de maior diâmetro como alternativa de tratamento em situações
especiais do tecido ósseo tais como pouca altura.
BINON (2000), fazendo uma revisão da literatura
sobre os componentes dos implantes ossseointegrados, refere-se as vantagens
clínicas dos implantes de maior diâmetro por aumentarem a superfície disponível
para osseointegração e por reduzirem a transferência de carga para a região
de osso cortical ao redor do implante
Os resultados do presente trabalho, mostraram
que as tensões foram iguais ou reduzidas em todos os componentes do sistema
analisado quando o implante de maior diâmetro foi utilizado. Como decorrência,
pode ser constatado que esta condição aumenta a previsibilidade de sucesso para
o tratamento. Este fato está diretamente relacionado com o aumento da área de
superfície para aosseointegração, bem como com o aumento da área da seção resistente
do implante. Além disso, foram reduzidos os efeitos das cargas excêntricas na
estrutura. O aumento do diâmetro do implante, promove ainda a redução do braço
de alavanca das cargas excêntricas, centralizando-as na direção do longo eixo
do implante, e reduzindo assim, as tensões na estrutura, mostrando que o aumento
do diâmetro do implante favorece a distribuição das tensões geradas, podendo
ser indicados para áreas posteriores, pois poderiam promover maior estabilidade
e resistência às cargas mastigatórias elevadas que estão presentes nesta região.
Conclusões
Os resultados da análise da ancoragem
bicortical apresentaram menores tensões na região de osso cortical. Porém, as
tensões foram mais elevadas no ponto de aplicação da carga e porção média do
implante do que as encontradas na ancoragem monocortical.
Com o implante de maior diâmetro os níveis
de tensões são inferiores para os componentes do sistema de implante quando
comparado com o implante de menor diâmetro.
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*Mestre em Ciência dos Materiais - Departamento de Ciência dos Materiais
-IME- Rio de Janeiro..
** Mestre em Implantodontia - Professor do Instituto Brasileiro de Implantodontia
- Rio de Janeiro.
*** Doutor em Ciências dos Materiais - Professor UFF - Volta Redonda e
IME - RJ