Normalização e
Regulamentação

Eduardo José de Moraes*

     O
nde começa a normalização e termina a regulamentação? A primeira vista a distinção é fácil: documento de caráter privado, a norma é uma especificação técnica que contém o consenso geral e se aplica de maneira voluntária, ao contrário da regulamentação, qualquer que seja seu contexto -legislativo, regulamentar ou outro que é decidida por poderes públicos para questões de saúde, segurança ordem pública, meio ambiente e proteção a defesa do consumidor etc., e se aplica de maneira obrigatória.

     Os poderes públicos em centros mais avançados perceberam que recorrer às normas oferece diversas vantagens. Por um lado, isso permite ter os textos regulamentares mais leves, já que eles remetem às normas para os detalhes mais técnicos. Por outro, possibilita atualização frequente mais fácil, já que as técnicas evoluem e a norma muda. De fato, se um ministério não citar a data da norma na regulamentação, ela evoluirá automaticamente com a norma sem que seja necessário intervIr.

     Uma terceira vantagem: a partir do momento em que se apóia em normas, que são reflexo de consenso, tem-se o direito de pensar que a regulamentação será melhor aplicada.

A NORMALIZAÇÃO

    A normalização consiste no processo de estabelecer e aplicar regras afim de abordar ordenadamente uma atividade específica, para o benefício e com a participação de todos os interessados e, em particular, de promover a otimização da economia, levando em consideração as condições funcionais e as exigências de segurança.

PROCESSO DE ELABORAÇÃO DE NORMAS BRASILEIRAS

    A sociedade brasileira manifesta a necessidade de uma norma, o órgão competente no setor (ABNT), analisa e inclui no seu programa de normalização. É criada uma comissão de estudo com a participação voluntária dos diversos segmentos da sociedade. A comissão de estudos elabora um projeto de Norma, com base no consenso de seus participante. O projeto de norma é submetido a votação nacional entre os associados da ABNT e demais interessados. As sugestões recebidas após a votação nacional são analisadas pela comissão de Estudos, após o que é aprovada como norma brasileira. A norma Brasileira é impressa, podendo ser adquirida nos diversos postos de venda da ABNT.

A CERTIFICAÇAO

    A atividade de certificação desenvolveu-se bastante nos últimos anos no mundo. É reconhecida como um instrumento indispensável para elevar o nível da qualidade dos produtos, serviços e empresas num país.

    A certificação consiste na emissão de marcas e certificados de conformidade para as empresas que demonstram que um produto, serviço ou sistema de gestão atende às normas aplicáveis, sejam nacionais, estrangeiras ou internacionais.

    A atividade de certificação auxilia o consumidor na identificação de produtos que atendam às normas específicas, estabelecendo consequentemente, parâmetros para decisão de compra complementares ao custo. Eleva a qualidade do produto aumentando a sua competitividade possibilitando novas estratégias de marketing, permitindo ao produtor exportar seu produto superando barreiras técnicas de outros mercados. Sob o ponto de vista governamental, facilita o controle dos produtos e serviços no mercado e simplifica as compras públicas.

A ISO E A ABNT

    A International Standardization for Normalization - ISO, é uma federação mundial de organismos de normalização nacíonais, contando atualmente com a participação de 92 entidades nacionais de normalização tais como DIN (Alemanha), BST (Inglaterra), AFNOR (França), JISC (Japão), ANSI (Estados Unidos), ABNT (Brasil) e outras 86 entidades afiliadas à ISO, sendo que em cada país só há uma entidade representante.

    A ISO é composta de vários Comitês Técnicos, os quais estudam e estabelecem normas internacionais. Cada comitê está subdividido em sub-comitês e estes em grupos de trabalhos. A estes comitês cabe estudar e criar normas em diversos setores.

   A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), é uma entidade privada que foi fundada em 1940. É atualmente o órgão responsável pela normalização no Brasil. Na sua estrutura interna se compõe de 28 comitês brasileiros e um organismo de normalização setorial.

OS IMPLANTES DENTÁRIOS E A NORMALIZAÇÃO

     O comitê responsável pelo setor odontológico na ISO é o comitê técnico 106 (TC 106). Desde a criação do sub-comitê 8 (SC 8) responsável pelo estudo e normalização dos implantes dentários, no encontro da ISO em Solna -1984, o processo de normalização neste setor evolui a passos largos.

    Atualmente já existem documentos emitidos pela ISO como o ISO/TR 10.451 de 1991 intitulado "Dental Implants -State of the Art -Survey of MateriaIs", onde podemos encontrar subsídios para elaboração de uma norma internacional no setor. Por ser um relatório tipo 2, poderá futuramente ser transformado em uma norma.

    No Brasil o processo de normalização está iniciando com a criação de um grupo de estudo do Implante Oral, que pertence ao Comitê 26 (CB 26) -Comitê Odonto- Médico-Hospitalar. Este grupo conta com a participação de representantes dos produtores, usuários e órgãos neutros.

    Este grupo de estudo está utilizando o ISO/TR 10451 e suas referências normativas para a elaboração das normas brasileiras. A Elaboração dessas normas se baseia no modelo do Mercosul e da Comunidade Européia que seguem as normas da ISO. Os trabalhos estão se desenvolvendo de forma criteriosa com a possibilidade de até o final do primeiro trimestre de 1997 existirem normas brasileiras em estágio de votação.

BIBLIOGRAFIA

    
Revista da ABNT -janeiro-fevereiro 96
    ISO/TR 10.451 -Dental Implants -State of the Art - Survey of materials 1° edição, 1991
    Edição Afnor -n° 159. Nov. 1995