Gnatologia
e Relação Central
O
dogma termina com a evolução ?
Marcus Vinícius Ranzeiro
Mathias *
FlaviIa R. M. Donner Jorge**
RESUMO
O objetivo deste artigo é apresentar uma revisão da literatura, a fim de realizar uma análise da evolução da Gnatologia e Relação Central, e seus conceitos apresentados por diversos autores ao longo dos anos. Concluindo portanto se esta evolução é um dogma nos conceitos da oclusão atual.
PALAVRAS CHAVE
Gnatologia , Relação Central, Evolução da Oclusão
ABSTRACT
The aim of this article is present a literature revision and main goal it is to accomplish an analysis of the evolution of Gnathology and Central Relationship and its concepts presented by several authors along the years.Concluding therefore if this evolution is a dogma in the concepts of the current occlusion.
KEY WORDS
Gnathology, Central Relationship, Evolution of the Occlusion
INTRODUÇÃO
A necessidade de se estabelecer uma harmonia do Sistema Mastigatório (ossos, músculo ligamentos, nervos e dentes) vem provocando ao longo do tempo uma discussão sobre a melhor definição do posicionamento do complexo côndilo-disco-fossa. A posição músculo-esqueletal harmônica da ATM é a situação ideal para o conforto e bem estar da oclusão (McNeil, 2000). (7)
O comprometimento dos resultados clínicos advém do fracasso em desenvolver as habilidades requeridas para localização, verificação e registro da relação central. Não podemos nos esquecer que a relação central nos demonstra, por exemplo, o diagnóstico diferencial dos distúrbios temporomandibulares, como também a previsibilidade de todos os tipos de tratamento oclusal, estando diretamente relacionada com a capacidade do cirurgião-dentista de registrar precisamente esta relação. Portanto deve ser mencionada como a relação entre os arcos, proporcionando conforto, função e saúde do sistema estomatognático (Dawson, 1980). (2)
O ponto de partida de harmonia de uma oclusão seria, determinar se cada côndilo está alinhado adequadamente com seu disco e se o conjunto articular está corretamente posicionado em sua fossa articular em relação central (Hobo. 1997; Okeson, 1992). (3 - 9).
REVISÃO DE LITERATURA
A Gnatologia iniciou em meados dos anos vinte, com estudos de .J McCollum (Dawson, 1980) (2) descrevendo a terminologia Gnatologia como a ciência que trata da biologia do sistema mastigatório, referindo-se ao estudo da cavidade oral como uma unidade funcional em relação direta com sua morfologia, histologia e terapia. Incluindo as relações vitais com o resto do corpo. Logo entenderam que fatores biológicos da mastigação estariam relacionados não só aos dentes, mas também a outras áreas, e que a articulação entre os arcos seria um fator fundamental no entendimento da fisiologia oral. Cuidados como obter um modelo dental aceitável, diagnóstico exato, uso de instrumentos de precisão como o arco facial cinemático, o gnatoscópio o gnatógrafo, são capazes de reproduzir em modelos o relacionamento exato entre os arcos antagônicos. Além disso, tais cuidados promoveriam a obtenção da harmonia entre os dentes e as articulações temporomandibulares. (Dawson, 1980, Hobo. 1997) (2 - 3) .
Portanto o conceito de oclusão era baseado na premissa de que os movimentos da ATM ditam a anatomia e a função dos dentes de forma que se poderia obter o máximo de harmonia na musculatura orofacial. Podemos assim afirmar que consideravam a oclusão um fenômeno independente do mecanismo proprioceptor, onde a razão anatômica direcionava os movimentos funcionais mandibulares devido à morfologia da ATM e não essencialmente à ação muscular.
O conceito de oclusão balanceada foi introduzido, onde durante as excursões funcionais os dentes poderiam produzir contatos simultâneos múltiplos, tanto no lado de trabalho como no lado de balanceio. A RC deveria coincidir com a oclusão centrica em casos de reconstrução. Mais tarde este princípio foi abandonado, já que a oclusão balanceada estaria mais relacionada com a construção de dentaduras. (Santos Jr. 1997) (10).
Stallard e Stuart (Dawson, 1980) (2) apresentaram o conceito de oclusão orgânica ou organizada. Notaram, portanto que uma desoclusão posterior organizada evitaria a invasão do espaço funcional livre, impedindo distúrbios durante o intervalo de repouso muscular durante o ato mastigatório.O conceito de proteção canina foi colocado em primeiro plano por esse grupo de gnatologistas (Dawson, 1980) (2), e de acordo com D'Amico (Santos Jr, 1997) (10), os caninos eram considerados dentes chave da articulação dental.
Apesar de inicialmente os conceitos de oclusão terem sido sustentados empiricamente, hoje estudos demonstram seu valor, principalmente na reprodução dos movimentos bordejantes (Howat, 1992) (5). Seus seguidores são fieis e acreditam que a captura destes movimentos por meio de traçados pantográficos irá assegurar que na reabilitação oral destes pacientes haja um esquema oclusal compatível com os determinantes condilares, promovendo uma função correta do ponto de vista da harmonia neuromuscular (Howat, 1992; Hobo, 1997).(5 - 2)
Inicialmente o ponto de partida de uma harmonia de oclusão seria determinar se cada côndilo estava alinhado apropriadamente com seu disco e se o conjunto côndilo-disco estava corretamente posicionado em sua fossa. (Dawson, 1980) (2).
Segundo Boucher (1963/1970) (Santos Jr, 1997) (10) descreveu RC como a posição mais retrusiva dos côndilos na cavidade glenóide. Como esta posição é determinada principalmente pelos ligamentos da ATM, é também chamada de posição ligamentosa (Okeson ,2000) (9). Segundo Molina, sob o ponto de vista da harmonia anatômica não é correto afirmar a RC como a posição mais retruída, pois esta posição é prejudicial a relação côndilo-disco. Posteriormente foi descrita como um posicionamento "não forçado". E quando os côndilos são puxados para cima até a posição terminal em dobradiça pela contração forçada dos músculos elevadores, sendo sua posição terminal uma relação forçada (Molina, 1989) (8).
Com isso para definir Rerlação Central os autores citam a conformidade entre a harmonia anatômica e a funcional (Lopes, 1995) (6). Trata-se de uma posição axial, significando que, as articulações podem girar para abrir e fechar a mandíbula sem sairda relação centrica, e o eixo em dobradiça pode se mover para baixo e para cima da eminência permitindo que a mandíbula abra e feche em qualquer posição, desde a relação centrica até a posição mais protruída. Mas somente na relação central a mandíbula pode bascular sobre um eixo fixo sem requerer que o músculo pterigóideo lateral sustente-a contra os músculos responsáveis pelo seu fechamento (McNeill,2000) (7).
Ao longo dos anos, várias definições foram propostas para o posicionamento dos côndilos, com relação ao termo Relação Central.(ver quadro anexo). Antes definiam como a posição mais retruída. Logicamente essas controvérsias buscavam um posicionamento o mais fisiológico e ideal para os côndilos.
Quando RC foi transportada para o campo da prótese fixa, logo sua atividade foi substanciada tanto pela sua reprodutibilidade como por pesquisas associadas à função muscular. (Okeson-2000) (9)
Estudos demonstram que através de analises eletromiográficas anteriores sugerem que os músculos da mastigação funcionam mais harmonicamente e com menor intensidade, quando os côndilos estão em RC e os dentes estão em máxima intercuspidação (Hyman,1991 ) (4).
A definição mais atualizada para o termo RC refere-se ao posicionamento mais anterior e superior do côndilo em relação à cavidade glenóide, com os discos propriamente interpostos e os côndilos apoiados nas vertentes posteriores das eminências articulares. (Okeson 2000) (9).
CONCLUSÃO
Muitos autores ao longo dos anos, tentaram fazer uma correlação entre os dentes e outras estruturas envolvidas na oclusão. Estudos foram teito para se chegar a uma previsibilidade biológica.
A Relação Centrica vem sendo definida como uma relação reproduzível para se iniciar uma reabilitação oral.
A definição de Relação Centrica vem sendo definida de forma diferente com o passar dos anos.
Atualmente é a posição mais superior e anterior dos côndilos nas tossas glenóides, apoiados nas vertentes posteriores das eminências articulares com os discos articulares apropriadamente interpostos.
Com o avanço das técnicas de diagnóstico e imagem, futuramente poderemos ter uma definição diferente da atual.
A correlação e definição de Gnatologia e Relação Central ainda são complexas. E continua sendo um dogma na Odontologia. Muitos estudos hão de vir para dirimir possíveis dúvidas.
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Evolução
da Relação Central
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS