Elevação
de seios maxilares com
perfuração
de membrana - estudo prospectivo
clínico e histológico de 4 anos.
Resumo
A
reabilitação de edentados em maxila posterior aplicando procedimentos
de elevação de seio maxilar tornou-se um procedimento de rotina
na implantologia oral contemporânea. Muitos são os relatos científicos
apresentando a eficácia e previsibilidade deste tipo de reconstrução.
A integridade da membrana sinusal
é um dos problemas mais freqüentes associados a este procedimento,
conforme aponta a literatura. Muitas são as técnicas apresentadas
para corrigí-lo, mas existe um grande hiato na literatura suportando
cientificamente a validade de tais variações.
Este artigo propõe uma
variação na técnica cirúrgica quanto ao posicionamento
da membrana de colágeno e sua respectiva inserção na cavidade
sinusal, objetivando a correção de perfurações pequenas
e médias, bem como a respectiva proposta de material de enxerto. Foi
realizado um estudo prospectivo em um grupo de 23 casos de elevação
de seio onde pequenas ou médias perfurações na membrana
ocorreram, envolvendo um total de 49 implantes instalados e o acompanhamento
longitudinal de 4 anos. Avaliações clínicas e radiográficas
estandartizadas foram realizadas, bem como a análise histológica
do tecido ósseo em 12 dos casos. Os critérios de Albrektson and
James de suceesso e sobrevida foram adotados, respectivamente, para análise,
dos resultados no decorrer do tempo (life table analisys). Os resultados indicam
a eficácia e previsibilidade dos procedimentos propostos no tratamento
de perfurações de pequeno e médio porte da nembrana sinusal
em cirurgias de elevação de seio maxilar associadas a implantes
odontológicos, reportando índice de sucesso e sobrevida de 96%
para este grupo de estudo.
Abstract
The
restoration of edentulous posterior maxilla using sinus elevation procedures
became a routine approach associated with implant dentistry. Many arethe long
term reports presenting the predictability of this type of reconstruction.
The integrity of si nus membrane
is one of the most frequent problems at this therapy. Many are the techniques
presented to address it, but there is still a lack of literature supporting
such variations.
This presentation will focus
a different surgical way to insert and position a collagen membrane inside the
sinus in order to treat small/medium perforations, and the proposed combination
of allograft/autograft .A prospective study group of 23 sinus elevation cases
where small/medium membrane perforations occurred, involving a total of 49 installed
implants was followed during 4 years. Standardized clinical and radiograph evaluations
were performed and histologic specimens were taken at 12 cases. Albrektson and
James criteria for success and survival respectively were adopted in a life
table analisys. Results indicares the predictability of lhe proposed procedure
to restore small and medium membrane perforations at si nus lift surgeries associated
with implants -96% success and survival rales at this study group.
Palavra Chave
Implantes dentais - elevação de seio maxilar - perfuração de membrana em seio maxilar.
KeyWord
Dental implants - sinus elevation - sinus menbrane perfuration
Introdução
O
mais freqüente obstáculo anatômico presente na reabilitação
implanto lógica da maxila posterior é, sem dúvida, a cavidade
sinusal. Associado ao processo clássico de atrofia alveolar na região
edentada, o seio maxilar difere da maioria das estruturas anatômicas na
medida em que tem suas dimensões potencialmente ampliadas no decorrer
do tempo, em função do processo de pneumatização1.
A denominada elevação
de seio maxilar foi introduzida por Tatum2 e Boyne James3 no início da
década de 80, tendo sido difundida como técnica de eleição
para a reconstrução óssea de maxilas posteriores atróficas
por um grande número de autores4-10, apresentando um excelente prognóstico
na totalidade dos relatos científicos.
A análise das investigações
relatando procedimentos cirúrgicos aponta a perfuração
da membrana sinusal como a principal.Intercorrência que pode interferir
nos resultados11, 12, 13, 14, pelo fato da membrana constituir a barreira natural
de contenção do material enxertado e pelo papel coadjuvante da
mesma no processo de osseocondução1, 11, 12.
Relatos isolados sobre diferentes
modalidades de tratamento em perfurações de membrana tem sido
apresentados, envolvendo principalmente a utilização de membranas
de colágeno. Alguns autores chegam a propor a correção
através de micro-suturas com fios reabsorvíveis. Nenhuma das modalidades,
entretanto, apresenta significativo suporte científico, razão
pela qual formatamos a presente investigação clínica.




Materiais e Métodos
Esta investigação foi obtida a partir de um estudo longitudinal mais amplo, envolvendo 325 casos de elevação de seios maxilares, conduzido por 7 anos no Centro de Implantologia Oral da Universidade São Francisco. Deste universo foram destacados 23 casos-pacientes onde perfurações de membrana sinusal ocorreram, sendo avaliados prospectivamente durante 4 anos. Um total de 49 implantes foram instalados, sendo 14 mulheres e 9 homens, na média etária de 42 anos (37-59). Os implantes instalados encontraram-se distribuídos da seguinte forma
-1os. Pré-molares
10
-2os. Pré-molares 19
-1os. Molares 13
-2os. Molares 08
A
instalação dos implantes foi possível no mesmo tempo cirúrgico
em 11 dos casos, sendo realizada em um segundo tempo cirúrgico - nunca
antes de 7 meses, em 12 dos casos, em função da indisponibilidade
óssea.
A avaliação clínica
e radiográfica seguiu os critérios de Albrektson15 e James8 para
sucesso e sobrevida, respectivamente. Nos casos em que a instalação
dos implantes foi realizada em um segundo tempo cirúrgico, foi realizada
a avaliação histológica do osso reconstruído (HE),
obtido com o uso de trefina de 2.8mm durante o preparo do leito implantar.
As perfurações
de membrana foram classificadas em função da sua amplitude como
pequenas<3mm, médias<5mm e grandes>5mm, (fotos 1, 2 e 3) sendo
a cirurgia abortada em rupturas maiores que 6mm.
Foram utilizados imp1antes do sistema Intra-Lock*, todos revestidos por tratamento
de superfície em plasma de hidroxiapatita, envolvendo parafusos e cilindros
(foto 4), instalados sobre pressão (ambos os tipos cravados por meio
de martelamento). As dimensões dos implantes variaram entre 3.5mm e 4.0mm
para diâmetro, e 13mm e 15mm no comprimento.
O revestimento das perfurações
foi realizado através da membrana de colágeno Colacote -Calcitec-Sulzer*(foto
5), posicionada conforme técnica, descrita a seguir. O material selecionado
para o enxerto propriamente dito foi indicado em função do volume
ósseo a ser reconstruído. Nos casos onde uma base óssea
igualou maior que 5mm era encontrada, utilizou-se a hidroxiapatita reabsorvível
Osteogen-Impladent* exclusivamente (foto 6). Nos casos com menos de 5mm de base
óssea e um volume de enxerto entre 5cc à 9cc, o enxerto constituído
foi uma mistura homogênea de hidroxiapatita reabsorvível Osteogen
e osso desmineralizado e liofilizado humano -DMFDB (foto 7) Muskuloskeletal
Transplant Foudation*, numa proporção de 2 para I. Nos casos de
grande volume reconstrutivo, acima de I0cc e base óssea próxima
à 2mm, o material de enxerto adotado foi uma mistura de hidroxiapatita
reabsorvível Osteogen, DMFDB e osso autógeno particulado obtido
da região de mento (foto 8 ), obtido através de trefinas ou brocas
tronco-cônicas, sendo fragmenta- do manualmente. A proporção
da mistura nestes casos foi aproximadamente 3-1-1.
Variação técnica proposta
Uma
das maiores dificuldades no emprego de membranas de colágeno esta relacionada
à seu manuseio cirúrgico. Uma vez umidecidas, estas membranas
adquirem alta adesividade à instrumentos cirúrgicos, tornando
sua acomodação adequada no interior da cavidade sinusal difícil
(fotos 10 e 11). AI.ém deste aspecto, as membranas de colágeno
embebidas de sangue tem sua visualização prejudicada, dificultando
sobremaneira a instalação em casos com fluxo sanguínio
intenso.
A variação de
técnica aqui proposta, de grande simplicidade, implica no posicionamento
da membrana seca na entrada da janela óssea, realizando-se em seguida
a inserção do enxerto através de seringa aplicadora. Desta
forma, o material particulado empurra e acomoda a membrana no interior da cavidade
na medida em que vai sendo injetado, observando-se com grande facilidade o deslocamento
das bordas da membrana que, concluído o preenchimento, pode ser dobrado
sobre a janela de acesso, como se envelopasse totalmente o enxerto. Com esta
técnica, elimina-se o desconforto no manuseio do colágeno, tornando
o procedimento mais rápido e eficiente (fotos 12 e 13).
Resultados
O acompanhamento dos casos seguindo os critérios estabelecidos gerou a seguinte tabela de sobrevida ao longo do tempo - life table analiys.
|
Ano
|
Elevação
|
Implantes
|
Descartes
|
Insucessos
|
Índice
Sucesso
|
|
1
|
7
|
11
|
0
|
0
|
100%
|
|
2
|
12
|
23
|
1
|
1
|
95,5%
|
|
3
|
18
|
30
|
1
|
1
|
94,8%
|
|
3
|
26
|
51
|
1
|
0
|
95,9%
|
|
TOTAL
|
23
|
49
|
3
|
2
|
95,9%
|
Obs: a coluna de descrates
representa pacientes que deixaram de ser acompanhados por
Diferentes razões involuntárias.
Os 2 insucessos obtidos constituíram a seguinte tabela:
|
Caso
|
Tempo
|
Localização
|
Amplitude
da perfuração
|
Instalação
do Implante
|
|
11
|
26m
|
14
|
Média
- <5mm
|
Imediata
(1 tempo)
|
|
19
|
10m
|
26
|
Pequena
- <3mm
|
7
Meses (2 tempos)
|
Como
pode ser observado, os insucessos não constituíram número
suficiente para que o estudo pudesse relacionar significância em nenhuma
das variáveis -tempo, localização, amplitude da perfuração
ou momento de instalação do implante.
Por outro lado, o índice
de sucesso e sobrevida apresenta, com clareza, a consistência da técnica
e a obtenção de um prognóstico compatível com outros
resultados de estudos semelhantes apresentados em literatura.
Discussão
A
técnica elevação de seios maxilares pode-se afirmar, é
uma das modalidades reconstrutivas do tecido ósseo de melhor prognóstico
na odontologia atual. As propriedades imunológicas e hemostáticas
da região conterem uma alta capacidade de defesa e a consequente facilidade
na manutenção da esterilidade no meio sinusal12, 16. O papel da
membrana sinusal como elemento de formação óssea, por outro
lado, parece ter um papel apenas secundário17. Observações
histológicas demonstraram que a mineralização dos enxertos
no seio maxilar originam-se da periferia do mesmo para o centro, formando-se
inicialmente no piso e paredes ósseas, caminhando em direção
à membrana18, 19. Nas mesmas investigações observou-se
a inexistência de células progenitoras ou morfogenéticas
na janela óssea fraturada, apontando este tecido apenas como elemento
auxiliar na osseocondução.
Desta forma, o principal papel
desempenhado pela membrana neste tipo de cirurgia esta relacionada à
contenção mecânica do enxerto, agindo como uma verdadeira
barreira física. Apesar do baixo grau de vascularização,
a membrana sinusal apresenta grande rapidez regenerativa19, facilitando a aplicação
dos procedimentos reparadores aqui propostos.
Duas são as principais
causas encontradas para a ruptura da membrana. Acidentes operatórios,
cuja incidência pode estar diretamente relacionada à curva de aprendizado20,
21 ou à extrema fragilidade que a membrana sinusal de alguns pacientes
apresentam. Nestes casos, é mais frequente a ocorrência de grandes
rupturas, inviabilizando o procedimento como um todo.
As membranas de colágeno
tem um bom desempenho neste procedimento, porque apresentam um tempo de reabsorção
adequado à rápida regeneração da membrana sinusal.
Uma vez embebidas no sangue, assumem uma consistência absolutamente passiva,
eliminando uma potencial irritação mecânica, oferecendo,
entretanto, a resistência necessária para a contenção
do enxerto. Adicione-se, ainda, o baixo custo representado por este material.
A eleição da superfície
dos implantes com plasma de hidroxiapatita tem extenso suporte na literatura
que aponta uma natureza de integração em regiões de baixa
calcificação e enxertos sempre mais eficaz, tanto do ponto de
vista histomorfométrico quanto na resistência mecânica oferecida22,
23, 24.
O procedimento de instalação dos implantes por pressão,
tanto em cilindros como em parafusos, contere maior estabilidade primária
através da compressão do trabeculado de baixíssima calcificação,
típico de maxila posterior e regiões reconstruídasl17,
25.
As diferentes modalidades reconstrutivas
associadas à elevação de seios maxilares são, sem
dúvida, a maior variável na leitura dos resultados apontados em
literatura. Por maior que
seja a indefinição científica, entretanto, é válido
afirmar que praticamente todas as alternativas descritas, envolvendo enxertos
autógenos, homógenos, aloplásticos, heterógenos(bovino)
ou as diferentes combinações parecem atingir resultados previsíveis
e adequados quando corretamente aplicadas na intimidade do seio maxilar3, 6,
9, 18, 20, 21, 22, 23, 26. Neste sentido, a filosofia reconstrutiva adotada
neste estudo baseia-se não apenas na segurança e eficácia
clínica, amplamente comprovadas mas também na praticidade da técnica
e na otimização da relação custo benefício
atingidas.
Conclusão
Os
resultados deste estudo permitem afirmar que perfurações de até
5mm da membrana sinusal, associadas à procedimentos de elevação
de seios maxilares, podem ser previsivelmente reparadas através do procedimento
descrito envolvendo uma membrana de colágeno associada à diferentes
materiais de enxerto. O procedimento descrito permite, ainda, facilitar a inserção
e posicionamento da membrana de colágeno no interior do seio elevado.
Os índices de sucesso
e sobrevida atingidos sob a metodologia proposta apresentaram-se semelhantes
aqueles atingidos por outros estudos sobre elevação de seio maxilar
sem o rompimento da membrana sinusal.
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