Efeitos do laser terapêutico sobre sistemas
biológicos - Revisão de Literatura

Resumo

       A pesquisa científica vem consolidando a laserterapia de baixa potência como uma nova e importante arma no arsenal dos profissionais da área da saúde. Inúmeros trabalhos científicos comprovam os efeitos do laser terapêutico sobre sistemas biológicos. Mostraremos através de uma atualizada revisão da literatura os efeitos desta tecnologia de ponta quando aplicada a sistemas biológicos, discutindo a dosimetria, metodologia e os resultados obtidos.

Abstract

       Low LeveI Laser therapy has been established by research as a new tmd important gun for health professionals. Some scientific works proves the efficiency of therapeutic laser effects in biological systems. We will show throw a bibliographic review the effects of this technology when tlpplied in biological systems, discussing the dosimeters, methodology and results.

Palavras-Chave

       Ltlserterapia de baixa potência, Sistemas biológicos, Bioestimulação.

Key words

       Low levei laser therapy, Biological Systems, Biostimulation.

Introdução

       A luz vem sendo utilizada por mais de 2000 anos como uma modalidade terapêutica. Os Egípcios filtravam a luz solar com panos coloridos, criando diferentes espectros luminosos que acreditava-se serem capaz de curar doenças dermatológicas.
       Einstein em 1917 desenvolveu a Teoria básica de emissão estimulada de radiações eletromagnéticas, Zur Quantum Theorie der Bestralung, teorizando tudo o que podia ser feito com a luz, mas foram os russos quem iniciaram a história do laser.
       A aplicação da luz na medicina começou com o tratamento do Lúpus Eritematoso por Finsen em 1903, que ganhou o prêmio Nobel.
       A palavra LASER é um acrônimo com origem na língua Inglesa (Light Amplijication of Stimulated Emission of Radiation) que significa luz amplificada pela emissão estimulada de radiação.
       Esta radiação é eletromagnética, não ionizante, sendo um tipo de fonte luminosa com características bastante diferentes daquelas de uma luz fluorescente ou de uma lâmpada comum.
       A radiação laser é monocromática, coerente e colimada, o que significa que emite radiação em um único comprimento de onda, possui somente uma cor específica e caminha em uma única direção, ou seja, não se espalha como a lâmpada comum.
       Os lasers se dividem em lasers de alta densidade de energia e lasers de baixa densidade de energia. Os primeiros, chamados de Lasers Cirúrgicos ou de Alta Potência, dependendo do coeficiente de absorção deste tecido, da potência do laser e do seu modo de utilização pode provocar no tecido alvo carbonização, vaporização, coagulação ou ainda simplesmente ter suas proteínas desnaturadas (FULLER, 1983; OSHIRO e CALDERHEAD, ]988). No caso dos lasers terapêuticos, baixa potência, quando ocorre a absorção da radiação da luz laser pelos tecidos, podem acontecer quatro processos: fototérmico, fotomecânico, fotoquímico e fotoelétrico (RIGAU, 1998).
       A laserterapia de baixa potência é feita por aparelhos que produzam energia menor que umWatt de potência e os comprimentos de onda mais utilizados estão entre 600 nanômetros e 1000 nanômetros sendo assim relativamente pouco absorvidos e conseqüentemente apresentam uma boa transmissão na pele e nas mucosas (RIGAU, 1996). Entre estes comprimentos de onda no espectro vermelho e infravermelho próximo, estão as radiações que produzem efeitos terapêuticos como bioestimulação, proliferação, diferenciação e síntese de proteínas.

Revisão da Literatura

       KARU et aI. (1994), irradiando culturas de Escherichia coli, com lasers de 623.8, 1066 e 1286 nanômetros de comprimento de onda, observou que a diferença entre o número de bactérias viáveis no grupo irradiado era muito maior do que no grupo controle, levando à conclusão de que os lasers induziram o crescimento de culturas bacterianas. Em 1995 KARU et al., escreveram sobre a habilidade da luz monocromática vermelha do laser de Hene 632.8 nanômetros, a qual induziu um aumento no nível de adenosina trifosfato (ATP) celular, dependendo da fase de crescimento celular.
       Em um trabalho realizado com bactérias orais de Pseudomas aeruginosa, CAMBIER & V ANDERSTRAETEN (1997), utilizando o laser de Hene para áreas infectadas por estas bactérias, observou que não houve redução logarítmica da cultura, chegando a conclusão de que o laser não pode ser usado ainda como agente bactericida, mas por outro lado foi observado que não houve estímulo do crescimento bacteriano.
       Em 1998, WEBB et aI., utilizaram um laser diodo de 660 nanômetros e 17 m W de potência com dosagens de 2,4 J/cm2 e 4J/cm2 em duas linhagens de fibroblastos humanos derivados de feridas cicatriciais e da derme normal. Verificaram que o grupo irradiado obteve um índice significantemente maior de contagem celular que o grupo não irradiado.
       REDDY et aI, (1998), fizeram um estudo sobre os efeitos da fotoestimulação laser sobre a produção de colágeno em tendão de Aquiles de coelhos. Estes tendões foram primeiramente lesados pelos autores de modo que estivessem todos nas mesmas condições patológicas. Posteriormente foram feitas as imobilizações das patas dos animais com talas de poliuretano. O tratamento foi instituído com laser de Hene, com aplicações diárias usando densidades de energia de 1 J/cm2 durante 14 dias consecutivos. As análises bioquímicas dos tendões revelaram 26% de aumento na concentração de colágeno, indicando um processo de cicatrização mais rápido dos tendões dos animais irradiados, quando comparado aos do grupo controle não irradiado.
       Em um estudo com o laser diodo operando com comprimento de onda de 890 nanômetros, com densidades de energia de 0,18, 0,54 e 1,45 J/cm2 sobre a cicatrização de feridas padronizadas em dorso de rato, os autores não observaram efeito estimulativo nos animais irradiados em relação ao grupo controle, sendo que no grupo irradiado com 1,45 J/cm2 houve significativa inibição do processo cicatricial aos 16 dias da primeira irradiação.
       Em 2000, SCHINDL, afirmou em seu trabalho que a radiação do laser de baixa intensidade é caracterizada pela sua habilidade de induzir processos fotobiológicos atérmicos e não destrutivos. Embora esteja sendo utilizada a mais de trinta anos, estafototerapia ainda não é uma modalidade terapêutica estabelecida.
       AGAIB y, em 2000 concluiu que laser de baixa potência estimula os linfócitos a produzirem fatores que podem modular células endoteliais a se proliferarem in vitro, este efeito é influenciado pela amplitude de energia utilizada.
       O laser de baixa potência tem sido usado com muita freqüência na regeneração dos tecidos moles, DORTBUDAK et ai. em 2000, mostrou em seu trabalho que a irradiação com um laser pulsado de diodo de baixa potência, teve um efeito de bioestimulação nos osteoblastos in vitro.
       Ainda em 2000, KIPSHIDZE et aI., utilizaram a laserterapia de baixa potência para irradiar guanosina monofosfato cíclica, produzida pelos corpos cavernosos de células musculares e demonstraram que a irradiação estimulou a elevação dos níveis de guanosina monofosfato cíclica in vitro.
       Usando um laser diodo de Arseneto de Gálio e Alumínio com comprimento de onda de 830 nanômetros nos tecidos periodontais humanos, KREISLER et aI., no ano 2000, verificaram os efeitos da laserterapia na taxa de sobrevivência dos fibroblastos humanos em culturas de monocamadas com diferentes potências e tempos. Verificou-se que o laser quando usado para descontaminação de bolsas periodontais pode causar danos aos ligamentos periodontais colaterais se a potência e a duração do tratamento não forem adequadas.
       SIPOSAN & LUKACS (2000), estudaram os efeitos da radiação laser de baixa intensidade potência em alguns fatores do sangue humano como contagem sanguínea completa e parâmetros na taxa de sedimentação. Estavam querendo avaliar as alterações causadas pela radiação nas células sanguíneas, eritrócitos e leucócitos. Este estudo mostrou que o laser de baixa potência mesmo quando usado em doses baixas, produziram algumas mudanças nos fatores sanguíneos tais como revitalização e efeito regenerativo na estimulação de mitoses e efeito bioestimulativo nas membranas celulares.
       Usar um laser de ablação pulsado é um novo método para deposição de camadas de Hidróxiapatita em superfícies de biomateriais. Usando densidades de energia de 3, 6 e 9 JIcm2, BALL et al.,em 200 I, verificou que houve uma organização dos osteoblastos humanos na superfície do material e organização citoesqueletal foi verificada usando um laser de escaneamento microscópico confocal. Concluiu-se que a atividade celular foi significantemente maior do que no grupo controle (LOWE et al., 1998).

Discussão

       INOUE et aI, (1989), estudaram o efeito mitógeno de um diodo laser de AsGaAI sobre linfócitos e concluíram que com as densidades de energia variando entre 14,2 a 28,3 mJ/cm2, produziu-se inibição da replicação celular enquanto que com densidades de energia de 849 mJ/cm2 houve aumento da replicação celular. Já AGAIBY em 2000, disse em seu trabalho que o laser de baixa potência estimula linfócitos a proliferação celular. RYHANEN et aI. (1982), cultivaram fibroblastos e meio isento de soro e irradiaram estas culturas com dois diferentes tipos de lasers, HeNe e um diodo laser de AsGao Não houve alteração em sua atividade, nem na atividade da elastase. Concluíram que o aumento na formação de colágeno descrita neste estudo não foi devido à diminuição de sua degradação e sim a um aumento de sua síntese. Por outro lado, KREISLER et aI. (2000), verificou que o laser quando usado para descontam inação de bolsas periodontais, se a potência e a duração não forem adequadas podem causar morte dos fibroblastos causando assim danos aos ligamentos periodontais colaterais.
       REDDY et ai, (1998), estudaram os efeitos da fotoestimulação do laser sobre a produção de colágenoem tendão de Aquiles de coelhos. As análises bioquímicas dos tendões revelaram 26% de aumento na concentração de colágeno, indicando um processo de cicatrização mais rápido dos tendões dos animais irradiados, quando comparado aos do grupo controle não irradiado. Corroborando com REDDY, RIGAU, em 1996, determinou que o mais importante efeito do laser de baixa potência em feridas é o aumento da síntese de colágeno pelos fibroblastos, demonstrado nos experimentos onde se monitorou essa síntese utilizando microscópio eletrônico para o controle da captação de prolina e glicina tritiada.
       DORTBUDAK et ai. em 2000, mostrou em seu trabalho que a irradiação com um laser pulsado de diodo de baixa potência, teve um efeito de bioestimulação nos osteoblastos in vitro. KUSAKARI et ai., em 1992, corroborando com DORTBUDAK et aI. (2000), fizeram um estudo in vitro e in vivo em cães adultos onde fizeram perfurações mandibulares e as irradiaram. Para ambos os experimentos utilizaram um laser de diodo de 780 nanômetros com potência de 30 mW. Observaram que o laser estimulou a síntese de DNA e a expressão de ALP-atividade nas células osteoplásticas in vitro. In vivo, observaram que os grupos irradiados tiveram maior recobrimento da perda óssea além de melhor cicatrização gengival.

Conclusão

       Quando utilizado com dosagens de densidade de energia corretas, induz a produção de ATP no meio intracelular mais especificamente aumentando a atividade mitocondrial, o que aumenta o metabolismo celular.
       Verificélmos que a laserterapia de baixa potência não pode ser usada como agente bactericida.
       Utilizando o laser terapêutico em fibroblastos há uma maior produção de colágeno o que gera uma diminuição do tempo de cicatrização e um processo de reparação tecidual de alta qualidade, mas, se utilizarmos densidades de potência e tempos de irradiação inadequados podemos causar morte dos fibroblastos.
       Estimula a atividade dos osteoblastos levando a uma regeneração óssea mais rápida e estimula linfócitos a produzirem fatores que induzem a proliferação celular e a regeneração de tecidos moles.
       O laser terapêutico se torna assim uma nova arma no arsenal de profissionais da área médico-odontológica, devendo ser utilizada sempre que vizarmos efeitos regenerativos ou estimulativos.

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